Vi uma comunidade no Orkut na qual se dizia “Eu te amo não é bom dia!”. Confesso que essa sentença me deixou um pouco instigado em saber o motivo pelo qual tantas pessoas ingressaram naquela comunidade.
Numa avaliação nada profunda, cheguei a pensar que as pessoas têm medo da banalização do amor. “Bom dia” é um cumprimento formal que se dá até a quem não se gosta e, no século da pressa, onde amores e desamores nascem, crescem e morrem em frações de segundo. É o chamado “nano-amor” ou o “i-love”.
Pois bem! Se a intenção foi evitar a banalização do amor, onde se diz “eu te amo” de dia, e “eu te odeio” à noite, a justificativa parece-me razoável, até porque “bom dia”, como dito, é saudação que se dá a todos sem distinção, sem expressividade de qualquer tipo de afeto ou sentimento. Muitas vezes, é mero continente, sem conteúdo.
Agora, como diz a sabedoria popular: nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Explico-me.
Não é porque o contexto hodierno é recrudescedor do coração humano que os olhos hão de descolorir tudo que há a frente, transformando a poesia numa equação matemática, ou numa prosa álgida e insossa. O genuíno amor sempre prevalecerá, ainda que rareado pela consumismo do sexo e da futilidade. Isso significa dizer que, caso sinta, não tenha medo de dizer: “eu te amo”.
Lembre-se que ao amar alguém você é um privilegiado, principalmente nos tempos atuais onde interesses de todas as ordens tentam calar e abafar o amor. É tão fácil agredir, apontar defeitos, criticar, mas porque é tão difícil dizer “eu te amo”?
Respondo: porque o mundo moderno, cibernético e racional é voltado para a ridicularização do amor, da poesia e do romantismo. Tudo hoje, como diz a profana e ignóbil Lady Ga Ga, é um “bad romance”. Amar dá trabalho, e as pessoas não querem mais ser heróis, preferem a mornidão dos relacionamentos de fachadas ou a comodidade do cotidiano vulgar.
Assim, diga “eu te amo” todas as horas, dias, minutos e segundos para a pessoa beneficiária do seu sentimento seguro, puro e sólido (desde que o seja de fato). O verdadeiro amor não cansa quem ouve e, muito menos quem fala. A voz, assim como os outros sentidos, também é forma genuína de manifestação de afeição, e, quando se ama, não se poupa nada do que se tem de bom. Não seja avarento no amor. Não sonegue carinho! Aquilo que nega hoje, certamente, ser-lhe-á negado amanhã!
Sempre digo aos meus amigos que é melhor errar por ação do que por omissão (mesmo sendo meta ideal não errar). Então, os verbos “calar” e “amar” nada obstante rimarem entre si, são incompatíveis! Se ama, diga, fale e grite! Use todos os seus sentidos para homenagear a pessoa querida. Oportunidades se passam e não voltam mais. A história e o tempo são fenômenos irretroativos e irreversíveis. E, um dia, você poderá querer dizer “eu te amo” e eventualmente não haverá aquele alguém para ouvir.
Portanto, acordar com um “eu te amo” é o melhor dos “bom dia´s”. Faz o sol brilhar mais forte e dá-nos forças para suportar a rotina de um dia de trabalho cansativo. Bom dia!!!!!!!!!!
Texto retirado do Blog: Eduardo Varandas
Texto originalmente postado em: 25/03/2011
